TUBI no MEO Kanal
Aprovação das cotas pelo STF reacende debate na UFBa
Após a aprovação unânime da manutenção de cotas raciais, professores e alunos da UFBa debatem o assunto.
Por: Paula Morais e Renato Alban e Joana Oliveira
Em: Sexta, 27 de Abril de 2012

   Por dez votos a zero, o Supremo Tribunal Federal (STF) validou no dia 26 a constitucionalidade das políticas afirmativas de reservas de vagas para indígenas e negros nas universidades públicas. Os ministros consideraram necessárias as políticas de cotas raciais para corrigir o histórico de discriminação no país. "A construção de uma sociedade justa e solidária impõe a toda a coletividade a reparação de danos pretéritos perpretados por nossos antepassados adimplindo obrigações jurídicas", disse o ministro Luiz Fux.

 

   A Universidade Federal da Bahia (UFBa) tem cotas para estudantes que se declaram negros ou pardos e a manutenção do sistema de cotas pelo STF suscita novos debates. Para Rodrigo Rossoni, professor da UFBa especializado em Educomunicação, as cotas não são a melhor solução, mas são uma medida provisória  necessária.“É importante porque o acesso à universidade é delimitada pelo vestibular, que não tem a ver com capacidade, mas com acesso à educação de qualidade. Até essa educação se concretizar, o que vai levar muito tempo, são necessárias as políticas afirmativas”, acredita Rossoni.

 

   Entre 2005 e 2010, em cursos como Medicina e Comunicação, entraram por ano, respectivamente, 245 e 330 alunos cotistas. “Quando esse sistema foi implantado, um dos discursos da reação era dizer que haveria baixa qualidade em relação aos alunos ingressantes, mas os dados mostraram que não”, afirma Fernando Conceição, professor de Comunicação da UFBA.

 

   Conceição diz que razões históricas justificam a existência da cotas para estudantes de escola pública que se declaram negros ou pardos. Na UFBa, 36,5% das vagas são reservadas para esses alunos. Segundo um estudo realizado pelos pesquisadores Jocélio dos Santos e Delcele Queiroz mostra que os estudantes ingressos por cotas na UFBa têm um rendimento igual ou superior aos demais alunos em 61% dos cursos mais prestigiados.

 

   Para Ailton Sena, estudante de Comunicação que ingressou pelas cotas, o rendimento independe da situação pela qual se entra na universidade. “Só terá dificuldade em acompanhar o ritmo acadêmico, o aluno cotista que entrou apenas para ocupar uma vaga disponível no sistema”, afirma. Sena é contra as cotas raciais, mas defende a disponibilização de vagas para alunos provenientes de escola pública e de baixa renda. “Os negros são a maioria da população pobre, então a cota social já nos favorece. A cota racial faz o negro competir com o aluno da escola pública, sendo que ambos passaram pelas mesmas dificuldades de uma educação defasada”, opina.

 

Outros estudantes da UFBa têm opiniões contrárias. Marcelo Argôlo, estudante de Comunicação, defende que as cotas raciais são justas, pois podem reparar a marginalização dos negros na sociedade brasileira.

 

 

Opções



Submeta o seu comentário:

Insira o seu email:

A publicação do comentário fica condicionada à verificação da existência do endereço de correio electrónico.

 

WebJornal Online - Journalism Workshop
2017 © Todos os direitos reservados [all rights reserved] LabCom/UBI